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28 ABR 2017

Que pena, Brasil!

Em quem realmente acreditar? Qual o nível de informação e consciência do povo brasileiro?

Na manhã desta sexta-feira cinzenta – cor que representa o atual espírito do Brasil – são as perguntas que faço.

Acredito que a porcentagem de grevistas anunciada é mesmo daqueles que aderiram? Quanto desses números representa as pessoas que simplesmente ficaram acuadas, com medo, foram impedidas de ir e vir e não representam adesão?

Quando os brasileiros vão encarar os “detestados textões”, que já viraram motivo de piada, para realmente tentar entender e refletir sobre os fatos reais, sobre o que está acontecendo, sobre o que muda efetivamente ou não com as reformas, mas com o seu próprio pensar, ou seja, definir uma posição a respeito de cada tema sócio-político-econômico de acordo com suas convicções, com a sua realidade, com seu entendimento, com o seu bolso? Afinal, ser contra ou a favor às medidas adotadas ou por adotar em nosso país não é como escolher um time e por ele até morrer.

É difícil perceber a força que os sindicatos ganharam ao longo do tempo? E o poder de acuar e deixar as pessoas com medo, é diferente do sentimento que a ditadura promovia nas pessoas? São inegáveis as conquistas históricas dessas entidades, mas será que elas não ficaram no passado? Quanto os sindicatos tem realmente melhorado na vida dos trabalhadores nos últimos tempos? Essa reflexão é boa de fazer na base do custo/benefício.

Se os profissionais da imprensa, principalmente da televisão, não tivessem conseguido chegar ao trabalho e não jogassem holofotes sobre a greve, mostrando um mapa da situação para todo Brasil – pois TV não falta até mesmo onde falta pão – será que a greve teria esse mesmo volume?

Qual seria o balanço ao final do dia, se o filho, a mulher, a mãe do “chefão” sindical passasse mal e, ao chegar ao posto de saúde, ao hospital, não encontrasse nem médico, nem enfermeiros? Ué, a greve convocada não é geral? Quem disse que todo médico tem carro? E aqueles que têm e foram assaltados nesta manhã (falo porque ocorreu e eu sei, mas meus colegas da imprensa não mostram).

Nunca antes na história deste país, pra repetir o famoso bordão, a informação foi tão disseminada, acessível, a tecnologia chegou tão longe, com redes sociais, dispositivos móveis etc. Por outro lado, nunca o brasileiro soube tão pouco, se informou tão pouco, enfim, pensou tão pouco!

Hoje, a sensação é mesmo de que é mais fácil escolher um lado e nele ficar; parece que só existem mesmo nós e eles. Com tanta informação à disposição, o brasileiro não se dá ao trabalho de ouvir e entender o que o outro lado tem a falar, quais são suas justificativas e, assim, colocar tudo na balança, refletir e até mesmo recuar. Não, a postura é escolher um lado, por ele matar ou morrer, sem nem saber mais qual é a causa.

Quando um político qualquer toma uma atitude que denota interesse público, benfeitoria ao povo, mas não é do mesmo lado que o seu, você sai logo dizendo que é marketing, que tem algo por trás, que é corrupto, porque não se acredita mais no que seria óbvio, certo, verdadeiro. Fanatismo, radicalismo, ódio, vandalismo é só o que se vê.

Que pena! O povo continua sendo usado como massa de manobra e faz de conta que não percebe. Ou não percebe mesmo? Será que gosta? A opção é mesmo usar tudo que a modernização trouxe e colocou a seu dispor para incitar o ódio, a violência, o nós contra eles, sem perceber que os únicos que se ferram ao final são eles mesmos, que não estão em cima do caminhão e tomam porrada no chão, que não têm segurança, nem blindagem, nem foro privilegiado, nem nada... que pena.

Que pena a minha falta de esperança e a certeza de que vou morrer sem ver o Brasil reconstruído, isso se não morrer com ele pior, tipo assim “venezuelisado”... que pena!

Que pena ver que hoje se unem para queimar, quebrar, vandalizar e que, na segunda, se unirão pra ver quem ganha o carro zero ou o apartamento!

Aproveitando o dia do livro comemorado semana passada, que tal mudar os números apresentados? Que tal o brasileiro ler mais? Somente 37% da população tem o hábito da leitura. Que tal os profissionais da educação se empenharem mesmo na interpretação de texto? Que tal olhar os “textões” com outros olhos? Sinceramente, acho que esse é o único caminho de mudança.

Brasil, que pena! 

 

Almeri Bolonhezi

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